segunda-feira, 30 de março de 2015

NOSSOS PRIMOS. QUAISQUER SEMELHANÇAS ENTRE NÓS, OS CHIPANZÉS E OS BONOBOS NÃO É MERA COINCIDÊNCIA



Pesquisas recentes reforçam cada vez mais o que os cientistas têm descoberto nos últimos anos: que os chimpanzés são muito mais parecidos com os humanos do que se imaginava. Já se sabia que os chimpanzés dividiam mais de 99% dos genes com os humanos. Mas seriam eles tão próximos a ponto de ter algo que sempre pensamos ser uma exclusividade nossa, a capacidade de transmitir conhecimento e até de conversar?



Em um experimento, foram apresentadas a alguns chimpanzés duas formas de os macacos conseguirem tirar um doce de dentro de uma caixa. Eles poderiam empurrar a abertura usando uma vara ou levantar a alavanca. O que os primatologistas fizeram foi ensinar um chimpanzé a empurrar e outro a levantar a alavanca.

O passo seguinte foi colocar cada macaco com um grupo diferente de chimpanzés e ver o que acontecia. O resultado intrigou os cientistas. Os chimpanzés ensinaram os outros a alcançar o doce. Mas cada grupo aprendeu apenas um jeito de fazer isso. Assim, surgiram duas culturas separadas. A daqueles que empurravam e dos que levantavam a alavanca.

Além de aprender um com o outro, os chimpanzés são capazes de trabalhar em equipe? Os humanos fazem isso o tempo todo, mas será que nossos parentes conseguem?

Em outro experimento, os cientistas colocaram cordas para que os chimpanzés puxassem as bananas. Mas elas estão afastadas demais para serem puxadas pelo mesmo macaco. E, se ele puxar apenas uma das pontas, não vai conseguir as bananas.
  
Sozinho, nosso amigo vai ficar com fome, a não ser que peça ajuda. O uso da lógica nesse caso é perfeito. Ele olha o companheiro preso, avalia o problema e resolve soltar o outro chimpanzé para ajudá-lo. O trabalho em equipe é um sucesso e tem banana para todo mundo.

INTELIGÊNCIA BONOBO  

Mas os resultados mais impressionantes são os obtidos pelos bonobos. Esses primatas são considerados por alguns cientistas os animais mais inteligentes depois do homem. Para espanto de Danny, eles são famosos por um outro comportamento bem humano. Os bonobos acreditam que o sexo casual fortalece os laços dentro do bando. Vivem como nos anos 60, na era do amor livre.

 

A primatologista Sue Savage-Rumbaugh trabalha com os bonobos há 25 anos e conseguiu algo fantástico: conversar com os bonobos com frases simples e cartelas com desenhos.

Sue pergunta se Panbanisha quer cenouras ou quer brincar de massinha. Panbanisha aponta as cenouras. Quando está com fome, Panbanisha até cozinha. Só precisa de ajuda. Ela coloca a panela no fogão e acende o fogo enquanto a Sue conversa com ela. 

“Você tem de tirar a embalagem de dentro da panela. Puxe bem rápido para não se queimar”, diz a cientista. “Talvez você possa usar uma faca. Você está vendo uma faca? Pegue a faca”, sugere Sue. Panbanisha usa a faca para tirar a embalagem da panela e depois evita que ela pegue fogo.

Mas não para por aí. Danny encontrou uma prova única da inteligência desses animais. Usando um computador, uma bonobo chamada Konzy une símbolos para formar frases e conversar com os humanos.

A questão que a ciência procura responder agora é: será que chimpanzés e bonobos podem aprender ainda mais? Nossos primos mais próximos na natureza poderiam ficar mais humanos? Para a doutora Sue não há dúvidas disso. O que se espera é que fiquem parecidos apenas nas coisas boas.

domingo, 29 de março de 2015

SEQUENCIADO O DNA DO HOMEM DE NEANDERTAL



Cientistas sequenciaram 60% do genoma completo dos neandertais e compararam o resultado com o genoma de cinco pessoas de diferentes partes do mundo (África do Sul, África Ocidental, Papua-Nova Guiné, China e França). Os neandertais, primos baixinhos e troncudos do homem moderno, sumiram do mapa há cerca de 30 mil anos. São nossos parentes evolutivos mais próximos.



Os pesquisadores, coordenados por Svante Pääbo, do Instituto Max-Planck de Antropologia Evolutiva em Leipzig, Alemanha, descobriram que uma variedade de genes são exclusividade dos humanos, em especial um punhado de material genético que se espalhou rapidamente entre nossa espécie depois que o Homo neanderthalensis e o Homo sapiens seguiram cada qual seu próprio destino, divergindo de um ancestral comum. As descobertas permitiram a elaboração da primeira versão de um catálogo de regiões do genoma e de genes que podem ser a chave para a identidade dos humanos modernos.

Os autores do trabalho, detalhado em dois artigos na revista “Science” desta semana, também afirmam que os humanos modernos e os neandertais “muito provavelmente” cruzaram, “em pequena medida”. A área em que os esparsos encontros românticos ocorreram, provavelmente, foi o Oriente Médio, à medida que o H. sapiens saía da África em direção à Eurásia. De 1% a 4% do genoma do homem moderno parece ser dos neandertais, estimam os autores.

As novidades são fruto da análise de amostras de pó de ossos de três indivíduos. Seus fósseis foram encontrados em uma caverna em Vindija, na Croácia.

Em agosto de 2008, cientistas anunciaram a decodificação do genoma mitocondrial (presente nas mitocôndrias, as usinas de energia das células) do homem de neandertal. Na época, concluíram que as evidências genéticas indicavam que os neandertais provavelmente não se misturaram com o Homo sapiens, apesar de terem convivido com seres humanos modernos por milhares de anos.

A diferença, agora, é que o genoma completo foi sequenciado. O genoma mitocondrial é só uma amostra do DNA de um organismo.

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